Little Ashes
O filme tinha tudo para ser pelo menos muito bom, se tivesse sido dirigido por alguém mais preocupado com o público do que com a vontade própria de fazer um filme cool/arty, pois foi exatamente esta a impressão que tive. O diretor estava mais querendo se auto afirmar na capacidade de criar um filme artístico e nessa busca esqueceu um monte de coisinhas para manter o público interessado. Usou de imagens bonitas, porém após uma hora de filme parecia que ainda estávamos na introdução, ou melhor, estávamos! Uma introdução longa e sem conexão com a segunda parte. Nenhum personagem foi desenvolvido. Parecia uma colcha de retalhos sem arremate. Talvez tenha sido intencional. Eu já vi vários filmes colcha de retalhos ou estilo quebra-cabeça que ao longo do tempo te faz entender o contexto, te faz montar as pecinhas do quebra cabeça, te faz apreciar o filme, os personagens, o diretor, os atores (David Lynch é mestre nisto). Mas este pecou feio na incapacidade de demonstrar como atrair a atenção.
Primeiro pecado e que até agora não entendemos porquê: o filme se passa na Espanha e qual é a língua principal do filme? Inglês com sotaque espanhol! Pra que mon Dieu? Teve uma parte do filme que o personagem principal, Federico Garcia Lorca (Javier Beltrán) recita um de seus poemas em espanhol, porém com voice over em inglês. Daí não dá para acompanhar nem o espanhol (que está com voz de fundo e baixinho) nem tampouco o voice over em inglês. Chato, pois era um poema bonito. Desinteressei pelo filme neste ponto.
Outro pecado: Salvador Dalí é interpretado por um ator britânico, Robert Pattinson, que só agora fui descobrir atuou em Harry Potter e Twilight (se soubesse deste fato, não teria ido). Podem me chamar de elitista/racista com relação a atuação, mas em se tratando de interpretar Salvador Dalí em um filme, minha expectativa é que alguém com muito mais maturidade e experiência fosse escolhido (pensando bem, quem poderia atuar como Salvador Dalí se não ele mesmo? Terei de pensar nisto).
E assim saímos do cinema em desgosto total com o filme Little Ashes cujo objetivo era contar a atração/romance entre Federico Garcia Lorca e Salvador Dalí. Com certeza, se este filme tivesse sido dirigido com a mesma atenção à qualidade e ao público como foi A Single Man (dirigido por Tom Ford) teria sido um filme impressionantemente lindo assim como foi A Single Man.
Talvez o nosso desgosto tenha sido fruto das nossas próprias expectativas. Isto que dá se lambuzar de filmes do Godard e daí esperar que todos os filmes sigam a mesmo nível de qualidade - mea culpa!
terça-feira, abril 06, 2010 | Marcadores: Filmes | 5 Comments
Sirenes e luzes...
Pena que dá cana! Assim, fico feliz que foi ele quem a colocou em prática e não eu.
Terei que pensar em outra coisa que não seja contra a lei!
E sessão Liv Ullman and Ingmar Bergman hoje à tarde! Faithless! Filme dirigido por Liv Ullman e escrito por Bergman. Ah, Liv Ullman está em Sydney dirigindo esta peça: A Streetcar Named Desire.
Beijocas
domingo, agosto 16, 2009 | Marcadores: Eu, Filmes | 6 Comments
Before the devil knows you're dead
Há algumas semanas, maridão ganhou dois tickets para assistir este filme. Fui ao cinema, mas sem esperar muito, apesar de ter visto Fail Safe do mesmo diretor (SidneyLumet) e ter gostado.
A primeira cena me deixou um pouco confusa, pois achei que se tratava de uma cena no futuro na qual Andy (Phillip Seymour Hoffman) está transando com Gina (Marisa Tomei) enquanto em férias em algum lugar no Brasil. Mas, se tratava de uma cena do passado que veio mais tarde a explicar o relacionamento do casal que é apenas um detalhe em relação ao resto do filme, mas que deixou bem claro a personalidade dominadora de Andy para com todos.
Bem, o resto do filme só mesmo assistindo. Gostei do jeito que foi feito, tipo pequenas cenas repetidas mostrando o ponto de vista de cada interlocutor, e do fato de você saber já de cara que as coisas só irão piorar dali para frente (o que te faz ficar grudadinha na cadeira com os olhos estarrecidos). Adorei!
Curiosidades:
- Lumet, o diretor, tem 83 anos
- Olha só o que ele disse numa entrevista: "I love working. If I find a script I want to do, I'm delighted about it. Then as soon as I finish, it's 'where's the next one?" (Eu adoro trabalhar. Se eu encontro um script que eu quero fazer, eu me sinto contente. Então, assim que eu o termino, eu me pergunto, cadê o próximo?). Quisera eu ser assim com relação aos meus projetos e clientes em IT. Quanta energia este homem tem!!!
sexta-feira, março 21, 2008 | Marcadores: Filmes | 3 Comments
Primeiro filme de 2007
O papai noel nos trouxe vários filmes do diretor Louis Malle. Ontem resolvemos assistir Black Moon. Confesso que terei que assisti-lo novamente, mas desta vez com livros do Freud e Jung ao meu lado (provavelmente os de Jung, pois o filme é um sonho só). Muito surreal para o meu gosto (até mesmo os filmes do Buñel são mais fáceis de se entender), mas altamente criativo. Quem assistiu e não entendeu, não está só no mundo. Para entendê-lo somente assistindo mais de uma vez, e é o que pretendo fazer um dia desses.
Dizem que tem muito a ver com Alice no País das Maravilhas, mas como não li o livro e tampouco assisti aos vários filmes baseado nesta obra (nem mesmo a versão Disney), e só conheço a história por cima, não posso afirmar. Só posso dizer que o filme está cheio de simbolismo e antropomorfismo do começo ao fim.
O som é uma droga, dublagem muito mal feita. Talvez existam cópias melhores
em dvd, mas esta que temos está uma verdadeira m@#%!, com o perdão da expressão.
Porém, não se assustem, Louis Malle dirigiu outros filmes mais inteligíveis ao olho nu. Outro dia, por exemplo, assistimos Ascenseur pour l'échafaud (Elevator to the Scaffold), o qual eu amei, preto e branco, suspense, Paris...
Ainda temos estes filmes dele para re-assistir: Milou en Mai e Damage .
Beijocas.
terça-feira, janeiro 02, 2007 | Marcadores: Filmes | 2 Comments
Volver
Aos amantes de Almodóvar como eu, nada a dizer a não ser, não percam!
Perdemos a pré-estréia do filme no Festival Almodóvar aqui em Sydney no mês passado, pois não havia mais ingressos quando fomos comprar, mas valeu a espera. Adorei cada segundo do filme.
Se comparado com os outros filmes dele, achamos este mais direto, e mais linear também, mas sem perder o toque mágico que somente o diretor sabe dar. Super emocionante, fez-me chorar e rir num piscar de olhos, mas talvez porque o filme em si mostra sentimentos bem contrastantes e polarizados numa cena só, amor e ternura num minuto, e resentimento e raiva num outro.
Antes de assistir ao filme, não tinha opinião alguma sobre Penélope Cruz, simplesmente a via como mais uma atriz de filmes que não me atraía à atenção. Nas mão de Almodóvar, achei-a excelente, natural, convincente. Gostei.
Beijocas.
sexta-feira, dezembro 29, 2006 | Marcadores: Filmes | 1 Comments
Almodóvar
Então o meu presente de aniversário chegou adiantado. Semana Almodóvar em Sydney, começando nesta sexta-feira (24/11) lá no Dendy Opera Qays .
Pergunta se eu perderei? Somente senão houver mais ingressos. Ai, vou lá verificar se tem ainda...
Beijocas.
Mais sobre Pedro Almodóvar aqui.
terça-feira, novembro 21, 2006 | Marcadores: Filmes | 8 Comments
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