Terceirizando broncas

Então é assim: maridex é o ''chairman of the body corporate'' (o equivalente ao síndico no Brasil). É ele quem convoca reuniões, supervisona os gastos (parte deles, pois a empresa que cuida do condomínio é que gerencia o orçamento), está presente quando o pessoal vem arrumar o prédio, estas coisinhas chatas de qualquer condomínio (mais chato ainda, pois aqui este serviço não é remunerado, nem tampouco recebemos um desconto na nossa taxa de condomínio como é comum no Brasil).

Hoje ele recebeu uma carta inusitada de uma vizinha, a qual me tirou do sério, mas que no fundo reflete um pouco as estranhices daqui. Mais ou menos, a carta dizia isto: 

Eu pendurei as nossas roupas no varal do prédio duas vezes esta semana, e em ambas as vezes os carinhas do número três verteram água sobre as nossas roupas. Todos os vizinhos acima do número três fazem isto de vez em quando. Seria possível passar uma circular para todos os moradores pararem de fazer isto? É frustante ver suas roupas limpinhas manchadas por água suja.
OK, concordo que é frustrante se deparar com as roupas sujas por causa de um vizinho que resolveu molhar as plantas ou lavar a sacada. Agora, me diz, é preciso passar a bola para o chairman? Não seria muito mais inteligente bater à porta do vizinho (que literalmente é ao lado da dela) e pedir para o moço ter mais cuidado ao regar as plantinhas? Tenho certeza que ela não fez isto. Ela e o marido são uns tipos muito estranhos, tão estranhos que nós nos referenciamos a eles por ''os estranhos''. Qual outro apelido poderíamos dar para pessoas que moram no mesmo prédio, no mesmo andar e ao encontrarem com você na escada, nariz com nariz, baixam o rosto, viram a cara e não cumprimentam? Daqueles que pegam o mesmo ônibus que você e fingem não te conhecer?  E agora, me diz se não é mais estranho ainda o desfecho da carta dela:

A propósito, eu e o meu marido não estaremos aqui nos dias 19 até 30 dezembro e ninguém ficará no nosso apê.
Traduzindo: dá para você dar uma olhada no nosso apê no período que estivermos fora?

E eu me pergunto: porque não bater à nossa porta e falar tudo isto ao invés de mandar um email?

Deixando os estranhos e continuando com mais estranhezas, não te parecem estranho ter um varal comunitário num prédio? Eu nunca tive coragem de usá-lo (talvez neste ponto a estranha seja eu), mas nunca vou pendurar minhas roupitchas lá fora e misturá-las com as roupitchas de outros vizinhos (aqui é bastante comum), e além de tudo deixá-las à mostra para qualquer um que passar pelas redondezas do prédio.

Outra coisa que acho muito estranho também é lavanderia comunitária em prédios. Lembro de ter sentido um asco enorme quando tive de lavar as minhas roupas numa dessas lavanderias que existiam no prédio que moramos logo que chegamos em Sydney. Yuk! Tá certo, não morri, não contraí nenhuma doença, porém fiz à contragosto e fiquei muito feliz da vida quando encontramos um apartamento com lavanderia interna. Sou fresca, admito!

Puxa, um hiato no blog e volto reclamando com toda força... Deixe que eu me acalme para contar coisas mais amenas nos próximos posts.

Beijocas



9 comentários:

Marcia disse...

Ai! manda ela devolver o e-mail dizendo: Por gentileza, trate isso direto com o seu vizinho pq roupa suja - literalmente - a gente lava em casa hehehehe.

Mas o triste é que gente estranha tem em todo lugar.

Denise disse...

Ser síndico, ou chairman, ou qualquer coisa do gênero é dureza!
Quando cheguei aqui, achava horrivelmente estranho as pessoas colocarem suas roupas pra secar do lado de forados prédios, mas isso é natural por aqui. Hoje em dia já me acostumei a ver as calcinhas, cuecas, meias e soutiens alheios a secarem pela cidade.

Felipe disse...

E eu que pensava que só no Brasil que os sindicos sofriam.
Abraços

Flávia disse...

Puxa, eu sofro daqui sendo manager da minha sharehouse e seu marido sofre daí sendo síndico. Pelo menos eu tenho desconto no aluguel e controlo só 9 pessoas... Nao consigo nem imaginar administrar 100 pessoas e suas chatisses, manias e estranhezas...
Tem uma vizinha da minha mae que vive reclamando do barulho que fazíamos nos finais de semana. Inclusive um dia ela ligou para o síndico reclamando e nós nem lá estávamos...
Quanto a bacalhoada. Sei fazer uma de lamber os bigodes e de um jeito nada tradicional. Se quiser passo a receita.
Beijao.

Flávia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Augusto disse...

Frios eles, não?

Sobre o varal: compartilhar as "roupas de baixo" ao sol ñ é muito animador =(

Polly Etienne disse...

Nossa...varal comunitário? nuh! não sabia que os prédios aqui são assim. Mesmo com toda estas estranhezas e chatices alheias e nem um desconto na sua taxa, ainda assim, vale a pena ser síndico? eu fico pensando que sim, né?

Ivana disse...

Mas Edelize do céu, sempre me pergunto o que faz alguém querer ser síndico... Isso aqui no Brasil. Aí sempre me dou a única justificativa que acredito ser plausível: o desconto no aluguel. Mas se nem isso o seu marido tem aí, o que faz esta criatura divina querer ser síndico?
Beijos!

Glau Nott disse...

Vc tem suas particularidades e eu concordo. Qdo morava num flat n gostava da ideia de varal comunitario nao, sem falar na trabalheira de descer e subir escada hehee

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