O submundo de Sydney

A pedido do Edge , que se surpreedeu (a Maíra também) quando mencionei no post anterior sobre uma gang de Maroubra, estou escrevendo este post.

Sim, Sydney é um paraíso, mas seria ingenuidade imaginar que é uma cidade sem problemas. Aqui há roubo, há crime, há assalto, há suicídio, há estupro, há drogas e drogados, há até desigualdade social, pedintes e pessoas sem casa para morar. Em fim, uma cidade como outra qualquer, com suas belezas e tristezas. Mas, o que faz a gente imaginar que aqui é um paraíso é que tomamos como ponto de referência alguns lugares do Brasil, e então neste caso dá para classificar Sydney como um lugar quase que perfeito.

Lembro que quando cheguei, achei interessante não existir uma página policial nos jornais, mas logo aprendi que apesar dela não existir, os artigos policiais apareciam espalhados pelo jornal todo em pequenas notas. Psicologicamente falando, o fato de não haver a página policial já é um alívio, não passa aquela sensação de nó no estômago, revolta e medo que se tem ao ler alguns jornais no Brasil. Às vezes me pergunto se somasse todas as notas policiais em um jornal daqui, não daria para ter uma parte policial como nos jornais brasileiros. Pensando bem, nem vale à pena tal esforço. Sinceramente? Acho que a mídia no Brasil (ou outros lugares) tem muito a dizer pela onda de violência. Acho que o apanhado e importância que é dada ao tema está gerando o efeito inverso de delatar. Na minha opinião, está retro-alimentando o ciclo.

A gang que me referi no post anterior é a Bra Boys (de MarouBra Boys e não de soutien/bras como pensei na primeira vez que ouvi falar da dita cuja). Há algumas semanas, foi o lançamento do documentário Bra Boys, o qual recebeu muita atenção da mídia aqui devido ao suporte que Russel Crowe deu aos criadores. Aí abaixo está o trailer do filme (ainda não assisti) e alguns links interessantes sobre esta gang e outros




O Bra Boys é apenas uma das várias gangs de Sydney. Muitas delas são formadas por minoria étnicas. Tem alguns bairros em Sydney que são notórios pelo alto indíce de criminalidade, por exemplo:
  • Redfern onde a maioria dos moradores são aborígenes e devido a tanta injustiça que sofreram e sofrem, a eles só restam o submundo de drogas e alcoolismo. Gente, é muito triste ver a condições de vida da população indígena aqui. Nada diferente da população das favelas do Brasil, ou pior.
  • Cabramata onde se encontram muitos traficantes e também a residência de muitas gangs vietnamitas.
  • Punchbowl onde se encontram algumas gangs de origem libanesa
  • George Street no centro de Sydney onde as gangs de jovens das mais diversas origens se encontram para fazer pega e aterrorizar uns aos outros. Esta rua é super e ultra policiada, com câmeras por todos os cantos, policias e policiais à paisana.
Bem, eu não dou muita trela para o que leio nos jornais daqui, pois muitas vezes é de um racismo e preconceito impressionantes. Já estive em todos os bairros acima mencionados e não vi nada demais, aliás, vi tudo de bom, uma diversidade incrível que faz a gente se sentir em outro país.

Mas, isto não quer dizer que seja bobinha e feche os olhos para o que não quero ver. Sei que existe problemas em qualquer canto de Sydney, e tomo os mesmos cuidados que tomo quando estou no Brasil. Sempre tenho a bolsa coladinha no corpo; se saio de mochila, carrego-a na frente; tranco as portas do carro ao dirgir; paro nos sinaleiros com olhos bem abertos e já engatada para sair se vejo algo suspeito por perto; tranco a porta de casa; temos alarme no apartamento conectado a uma central; temos porta de segurança no apê (só não coloquei grade nas janelas ainda, mas está nos meus planos); não estaciono o carro na rua, sempre na garagem, pois já tive um carro arrombado e quase levado se não fosse a ''valentia'' do maridão.

É mais tranquilo e seguro que viver no Brasil? Sim, muito mais, porém não quer dizer que não exista violência.

Imagem ilustrando o post vem daqui. Escolhi esta pois mostra o mesmo poste que numa das fotos do post anterior

Beijocas

22 comentários:

Roseane disse...

Fátima e agora você vai ver Marisa Monte aí? Eu nunca assisti um show dela...Sobre violência e outras coisas, penso que temos que tomar cuidado sim, em qualquer lugar, embora existam lugares mais tranquilos. Eu e meu marido fomos roubado em Honduras em frente do aeroporto, o pior é que só percebemos depois e a sensação foi horrível. Perdemos o lap top, passagens, celular e livros, até hoje não superei. Ainda não falo, não leio alemão, mas acho que nos jornais daqui também devem ter alguma coisa sobre violência, drogas, assaltos, etc...não como no Brasil. Bom findi!!!

Edelize disse...

Roseane Como vi o mesmo show no Brasil, acho que não irei no daqui. O show é excelente, ela é bem tímida, mas dá o recado do mesmo jeito, super cheio de detalhes e um show de luzes de babar de lindo, sem contar a voz dela, né? Humm, numa dessas mude de idéia, só de comentar fiquei com vontade de ir... Olha, ser assaltado é um transtorno daqueles. Imagino a correria de vocês com passagens e tudo. Beijos.

Agridoce disse...

Oi, Ede, tudo bem?
Pois é, acho que em criminalidade existe em todo o lugar, só difere mesmo nas proporções.
Brussels é conhecida por seus batedores de carteira e como tem tantos cafés, barzinhos e restaurantes, não é raro a turistada sair a noite e ser assaltada....
Um beijão e bom domingo

Edge disse...

Muito bem explicado Edelize. E foi mais ou menos como imaginei, é uma gang mas ainda longe de ser aquelas atrevidas que vemos no Brasil, daquelas que te encaram num barzinho metem o revolver na nossa cara, trancam os policiais dentro das proprias delegacias e fecham a avenida atlantica quando querem para vender cocaina.

Impressionante como a gente só percebe o quanto a nossa vida era ameaçada e arriscada somente após sairmos do Brasil para um lugar do primeiro mundo, nao é?

SandraM disse...

Oi lindinha!
Interessante saber sobre isso aí na Australia. Mas acho que vc tem razao, na midia pode ter um certo exagero por causa do preconceito!
Na Alemanha tem criminalidade, drogas, etc ... mas moro num vilarejo e é sempre mais tranquilo que em cidades grandes. Vira e mexe percebo que esqueci a chave do carro ... no carro!!!
Onde minha sogra mora, ela lembra que o último assalto foi há uns 20 anos atrás!!

SandraM disse...

ahh .. antes que eu esqueca ... voce tá lindinha no seu novo avatar.

Isabel disse...

eu moro nos confins de SP e vivo sabendo de noticias que eu gostaria de não saber. Alguns meninos que eu vi nascer aqui da rua hoje em dia estão por ai vivendo de drogas e isso me deixa meio assim, mas o que fazer?? Ando preferindo dar uma de nerd e ficar na frente do meu pc mesmo á sair por ai e encontrar certo tipo de gente... Beijinhos pra vc.

Polly disse...

Ei Edelize!! Ouvi dizer que Maroubra é um dos bairros com concentração de brasileiros morando, é verdade? Concordo plenamente com vc quando diz sobre o efeito do exagero da mídia no Brasil sobre violência, vira meio fonte de inspiração negativa :(
bjocas. Parabéns pelo post, ex-ce-len-te!

Edelize disse...

Agridoce Bem certo, a incidência é que difere um país violento de um não tão violento. os batedores de carteira não são tão populares aqui, o que é comun é a meninada roubar carros para fazer pega e daí abandonar em algum canto da cidade. Beijocas!

Edge Eu não consigo nem imaginar o que é estar na mão de bandidos. Em alguns lugares do Brasil a coisa está fora de controle mesmo. Até Curitiba está entrando na dança dos grandes centros brasileiros... Triste. Aqui também acontece alguns casos parecidos, mas a ousadia do marginal brasileiro é bem maior.

Sandra Acredite ou não, a algumas cidades do interior do Paraná ainda dá para deixar as chaves do carro dentro do carro e nada acontece. Coisa boa, né?

Obrigada, você é um anjinho que me faz sorrir com este elogios. Beijos

Edelize disse...

Isabel É triste quando acontece com pessoas próximas a gente. Olha que a vantagem de ficar em frente ao computador está também no controle que temos sobre o que ler e assistir, assim podemos ser mais seletivos e evitar tantos jornais que se a gente torcer, pode até sair sangue (olha outra nerd aqui). Beijocas.

Polly A região leste de Sydney tem bastante brasileiro (embora eu só conheça o maridão, hehehe). Bondi tem bastante e acho que Maroubra também. Na região norte, a praia de Manly é a preferida dos brasileiros. Beijos.

Ciça - Égua da Coluna disse...

Coisncidencia vc falar das condicoes dos aborigenes agora. Ontem vi um filme na TV que conta a história de duas meninas, filhas de indio com branco que foram retiradas de sua mae pl governo inglês para serem criadas pls brancos. A ideia era nao deixar as criancas mesticas terem filhos com aborigenes. na cabeca deles, casando essas meninas com brancos, em três geracoes os tracos aborigenes teriam desaparecidos. Triste, muito triste.... essa prática só foi abolida em 1973. Ou seja ONTEM:

Maíra disse...

Muito interessante esse post Edelize. A gente vê que existe violencia em todos os lados mesmo, né?! Uma pena. Aqui na Europa não é diferente. Portugal tem tudo isso tb, assim como outros países daqui, em menor ou maior quantidade, mas os problemas sociais estão lá. Nós, cidadãos, temos apenas que nos proteger contra tudo isso...
Bjinhos

Tina disse...

Oi Edelize!

É sempre bom ler seus posts e conhecer mais sobre o que se passa aí desse lado do mundo. Obrigada.

beijos querida e boa semana,

Thais Corby disse...

Oi Ede! achei otimo seu post.Imagino que sydney, como uma cidade grande que e deva ter sim seus problemas de marginalidade. Voce conhece Westmead? como e? vou fazer minha prova la em outubro.
Um beijo,
Thais

Isabel disse...

Lembra do Senhor dos Anéis?? Lembra do Frodo que tem que carregar o anel o tempo todo? Então, ele é um hobbit. Baixinho, bem pequeno. Logo aquela casa da foto seria pra eles pois eu, como sou uma giganta bato a cabeça em todo canto nestes chalezinhos... afe.

Ione disse...

Oi, Edelize,
O que mais me comove é a situação dos indígenas. :-(
Aqui em Viena há sempre notícias de arrombamentos a casas e aptos quando as pessoas saem de férias. E golpes de pessoas que se dizem de algum órgão do governo e roubam tudo quando entram na casa - normalmente as vítimas são idosos.

Eduardo disse...

Oi Edelize,
Muito interessante esse seu post.
Não sabia que era assim. Mas as cidades grandes tem sempre características muito parecidas, acho que em qualquer lugar do mundo.

Paulo Nunes Jr disse...

Oi Ede,

Miseria de desiguldades sociais existem em qualquer pais, em maior ou menor proporçao.

O que percebo muito que raramente sao exibidos aspectos negativos dos paises ricos na midia brasileira, enquanto que aqui quase sempre so mostram a pobreza e miseria do Brasil. Dai surgem os misunderstadings.

Beijos.

Claudia disse...

Ede, eu era uma das que imaginava Sydney como o paraiso.. hehehe.. mas é, como vc disse não há lugares perfeitos. ;)

Cris disse...

Ede,
Excelente o teu post, desmistificando o lado 'idílico' de Sydney. Sabe que eu leio bastante sobre a cultura australiana? Adoro a literatura e o cinema australianos. A crítica pós colonialista australiana é uma das mais fortes no mundo todo e eu tento me manter atualizada. Quase fui parar em Perth (imagino o que você está pensando... é o fim do mundo, longe de tudo). É que eu fui aceita para o programa de doutorado lá, por uma professora bem conhecida e ativa na área que eu trabalho. Ia trabalhar com literatura comparada, ia ser bem legal. Mas a vida quis que eu ficasse por aqui mesmo, na realidade por um triz não vou. Qualquer dia te conto a história.
Mas no tempo que passei aí, deu para perceber muitos aspectos que eu tinha lido nos livros, principalmente a incrível injustiça p/ com os aborígenes e a soberania quase que total dos ingleses, ainda que o australiano, geralmente, adore achar que ele está 'desafiando a autoridade'. É uma cultura híbrida onde o legado britânico prevalece. Mas eu adoro a Austrália, gosto das ambigüidades, do lado cultural. E amei Sydney.
Bjkas,
Cris
P.S. Menina, tá um frio na terrinha... daqueles que vc conhece muito bem, hehe.

Edelize disse...

Ciça A Stolen Generation não foi apenas aplicada as crianças mestiças, todas as crianças aborígenes estavam na mira do governo. Triste, e ainda mais triste se pensarmos que aconteceu há poucos anos.

Maíra É verdade, o que me deixa irritada é o fato de muitos deles aqui não ensergarem esta injustiças e ainda terem a coragem de criticar outros os países sobre o descaso deles nesta área.

Tininha Obrigada. Vejo os meus posts como um desabafo meu e fico feliz quando outros aprendem alguma coisinha com eles.

Thaís Deixei um recadinho no seu blog com relação a Westmead. Quando você vier para cá, te darei mais dicas e já fica o convite para saborearmos aquele Latte gostoso.

Ione No post acima tem um link para um slide show que mostra como os aborígenes vivem aqui. Os idosos aqui também sofrem com estes tipos de crime. Super chato...

Eduardo Sei lá, é fácil a gente fechar os olhos para isto, mas como você diz, todas as cidades grandes têm características similares.

Claudia Se comparado como grandes centros brasileiros, até que não é tão mal, porém existe.

Cris Eu acho que os australianos estão ainda a procura de uma identidade que os definam como nação, o legado britânico é bem forte e está estampado em todos os lugares, sem contar que ainda a rainha é a chefa de estado. Imagine se você estivesse aqui. Tenho certeza que iria se "embriagar" com a história e a experiência de viver aqui, quem sabe o próximo doutorado? Ai que saudades do friozinho daí, aqui ele está bem acanhado e se recusando a mostrar as caras...

Marcio Nel Cimatti disse...

Parece que a única coisa que faz os jornais venderem no Brasil é divulgar violência e botar medo na população.
É fácil de provar isso. Ainda estava em SP quando houve aquela onda de ataques do PCC. 3 dias depois aquele Marcelo Rezende ainda passava cenas de ataques como se fosse ao vivo. Nada de punição para o canal nem para ele e tomo mundo com medo.
Ah, lembrei outra, lembram da entrevista do Gugú com um cara do PCC que descobriram que era armada. Brincadeira, né!!!

Bjo!

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